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Textos de memorações de acesso aleatório.

Anotações Regulares de Acesso Aleatório

Básicas noções basilares entre pontos

Por luisdefPublicado: 01/07/2026Atualizado: 01/07/2026

Em verdade, em verdade, eu te digo

Repare que toda esta guirlanda foi, do princípio ao fim, prática. Como persistir, como avançar, como subir, como permanecer de pé, como ajoelhar, como esperar. É o território exato da phronesis, a sabedoria prática, a prudentia, a virtude do bem deliberar sobre o agir. Mas o próprio Aristóteles nos avisa que a sabedoria prática não é o cume, o seu fim aponta para fora dela. E a frase em que ele o diz de modo mais incandescente é esta:

ἐφ᾽ ὅσον ἐνδέχεται ἀθανατίζειν | (eph' hóson endéchetai athanatízein)

"Imortalizar-se, quanto for possível." — Aristóteles, Ética a Nicômaco, X, 7 (1177b)

Veja o contexto, porque ele reverte tudo. Aristóteles escreve, não devemos dar ouvidos aos que, sendo nós mortais, aconselham a pensar coisas mortais, mas, tanto quanto possível, tornar-nos imortais e viver segundo o que há de mais alto em nós, o noûs. É o oposto exato do conselho da pequenez; é o ápice de toda a subida que Sêneca nos abriu com o ad astra. E é, ao mesmo tempo, a chave do fim da sabedoria prática: pois o fim da phronesis é a boa ação e a vida boa, a eudaimonia (bem-aventurança), mas Aristóteles nega que ela seja o saber supremo. "Seria estranho", diz ele, "ter a prudência por o mais elevado dos saberes, já que o homem não é o melhor do cosmo." A sabedoria prática comanda, sim, mas não para si. Comanda como um administrador comanda pela casa, em vista da sophia, a contemplação. O fim último da vida prática não é agir, é ordenar a vida de modo que nela possa dar-se a atividade mais alta, a theoría. Imortalizar-se é fazer desse fim contemplativo o verdadeiro télos, mesmo do agir.